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PROPAGAÇÃO

sábado, 3 de novembro de 2012

A POÉTICA DA COR. A PSIQUE DO OLHAR



A cor inspira, cria e recria um mundo novo. Tudo pode ser do jeito que a gente quer, céu roxo, rios amarelos, árvores vermelhas, pessoas cor-de-rosa, quadrados verdes, círculos pretos, traços brancos. A cor traz sentimentos diferentes para pessoas diferentes. A cor provoca, afasta, aproxima e alimenta. O artista é feito de cor, é feito de alma. Alma, cor, sentimentos se entrelaçam e criam um mundo mágico. Mundo irracional. Mundo surreal. Mundo sob o olhar do artista. Mundo sob o olhar de quem o vê. Mundo que segue a poética do coração. Mundo que tem cor.
O olhar muda a cor. O olhar interfere no sentimento. A cor envolve o olhar. O olhar mexe com o coração. O coração nos remete a lembranças. As lembranças nada mais são do que sentimentos. Esses sentimentos nós trazemos no coração. O coração nos faz olhar para dentro de nós mesmos. O coração revela sensações. As sensações dão equilíbrio à cor. O equilíbrio modifica-se com o olhar. O olhar nem sempre é o mesmo, pois nem sempre somos os mesmos. E assim, modifica-se o mundo. O mundo torna-se lúdico, como um quebra-cabeça de cor. O quebra-cabeça reflete no espelho. Pelo reflexo, nem sempre as peças estão montadas corretamente. Procuramos o encaixe perfeito. Olhamos, olhamos…
Arte faz pensar. Perturba, agita, causa dor, causa reflexão, causa alívio. A arte mexe. O olhar mostra que mexeu, dá a resposta, dá o retorno. De nada adianta saber que algo mudou, sem compreender por que mudou. De nada adianta sentir, sem saber o que nos fez sentir. Já me disseram uma vez, “toda pergunta tem uma reposta”. Não sei se para tudo há resposta, mas sim, que existem respostas que queremos ouvir, aquela resposta que nos satisfaz. Assim como o olhar, qual a resposta que estamos procurando?
Você já se enxergou olhando? Olhou o seu olhar? Será que o quebra-cabeça encaixou? Qual foi a sensação? O reflexo no espelho era mesmo você? O que mudou? A cor interferiu? Ou a situação fez o olhar mudar? O que é olhar uma obra, uma cor diferente, uma outra pessoa, um reflexo no espelho? O que lhe causa olhar a cor? O que você sente ao olhar o outro? Quem realmente você é, a pessoa ou a imagem? Quem você realmente quer ser?
Duras indagações, pobre artista. Duras indagações, pobre alma a procura da cor. A procura das sutilezas do olhar, de pegar um reflexo, um corpo em movimento. Sutileza de sentir um momento, tato, sentimento. Pobre artista que procura, lá dentro, a poética da cor, a harmonia das formas, a abstração do olhar, a sinceridade das pessoas, a lucidez da alma, a insanidade dos pensamentos. Procura seus devaneios. Devaneios estéticos, devaneios do silêncio. Procura a insanidade do ser, a dualidade da existência. É no silêncio que, verdadeiramente, nos encontramos. É o poder do silêncio que nos faz ver. Ver as imagens escondidas, a imagem não revelada, o lado com sombra, o claro e o escuro, o branco e o negro. O silêncio personifica a alma. Só nos resta olhar o reflexo, olhar o ser.
 
Já disse o poeta e filósofo Gaston Bachelard, “A arte desafia o olhar. Muitas vezes, ela se refugia em zonas de silêncio, à espera da contemplação solitária”. A contemplação é a intenção. Contemplação não só da obra, não só daquele que fez a obra, mas também, daquele que olha a obra. Contemplar o mundo, o local, o tempo. Contemplação do momento, momento que não volta jamais.




 por Fabiana Langaro Loos

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