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PROPAGAÇÃO

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DESCOBERTA ARQUEOLÓGICA NOS AÇORES CRIAM POLÊMICA - ATLÂNTIDA?


Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea refuta achados de monumentos cartagineses com milhares de anos em Angra do Heroísmo, nos Açores, que foram 
anunciados por arqueólogos esta semana.

Sítios arqueológicos no Monte Brasil, em Angra do Heroísmo.

O conselho científico do Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea (CEAM) afirmou hoje que as conclusões sobre achados de monumentos com milhares de anos nos Açores são "extemporâneas" e constituem "sensacionalismo à Indiana Jones".

Este organismo esteve reunido hoje no Funchal e, no texto das conclusões a que a agência Lusa teve acesso, declara que as informações avançadas pela Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica sobre alegados achados de monumentos subterrâneos e templos do tipo hipogeu com mais de 2.000 anos na região açoriana são um "erro e sensacionalismo à Indiana Jones".

No comunicado, o CEAM declara que "desde 2008 tem dedicado parte da sua atividade arqueológica nos Açores, pondo em prática o projeto Estudo da Arqueologia Moderna na Região Autónoma dos Açores (EAMA), com o apoio de meios universitários portugueses e organismos governamentais e municipais".

Vestígios estão a ser analisados por
 arqueólogos da Associação Portuguesa
 de Investigação Arqueológica

"Notícias veiculadas por Nuno Ribeiro, da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica, carecem de validação científica" 

O conselho científico considera que "as notícias veiculadas por Nuno Ribeiro, da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica, carecem de validação científica", pelo que diz serem "extemporâneas e desprovidas de um rigoroso aprofundamento disciplinar e interdisciplinar, nomeadamente na vertente da antropologia e dos estudos etnográficos que citam, desde os finais do século XIX, a utilização desse tipo de estruturas rochosas para fins agropecuários".

O CEAM declara também que este "tipo de estruturas construídas em pedra são tipologicamente semelhantes a muitas outras existentes no arquipélago da Madeira, que têm vindo a ser estudadas e sujeitas à apreciação da opinião pública através de artigos em revistas do sector, intervenções em encontros especializados e referências na comunicação social".

"Poderão remontar, quando muito, à época do povoamento no século XV" 

Por isso, refere, é certo que a sua origem e datação "poderão remontar, quando muito, à época do povoamento no século XV".

O CEAM argumenta que "idêntica justificação se poderá entender para as estruturas açorianas, numa vertente da arquitetura 'humanizável' da paisagem insular e pela crescente necessidade de utilização dos recursos naturais na atividade humana".

Além disso, sustenta que as conclusões do arqueólogo Nuno Ribeiro, "além de precipitadas e tomadas em "visita de recreio" aos Açores, são meramente sensacionalistas" e "descredibilizam a classe arqueológica, que se deve mover com dados fundamentados e com rigor na interpretação e na análise do passado e suscitam afirmações voláteis sem estudos prévios rigorosos e interdisciplinarmente credíveis".

Arqueólogos tinham dito que encontraram templos dedicados a deusa cartaginesa 

Na passada sexta-feira, arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica afirmaram ter localizado no Monte Brasil, em Angra do Heroísmo, novos sítios arqueológicos, alguns dos quais poderão ser templos dedicados a Tanit, deusa cartaginesa, provavelmente do século IV a.C.

Segundo Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito, foi descoberto "um conjunto significativo de mais de cinco monumentos do tipo hipogeu (túmulos escavados nas rochas) e de pelo menos três 'santuários' proto-históricos, escavados na rocha".

Um dos monumentos localiza-se no 'Monte do Facho' e possui estruturas tipo pias, associadas a canais provavelmente para libações, 'cadeiras' escavadas na rocha, um tanque cerimonial coberto pela vegetação e dezenas de buracos de poste, que confirmam a existência de coberturas leves destes espaços.

O segundo e o terceiro santuários localizam-se na área do Forte de São Diogo e foram descobertos no passado mês de junho durante uma viagem de recreio.

Descobertas serão apresentadas em congressos mundiais

A APIA irá apresentar publicamente estas descobertas em congressos mundiais, que decorrem em Évora em setembro deste ano (SEAC 2011) e em Florença (Itália) no próximo ano, no Simpósio de Arqueologia do Mediterrâneo.

De acordo com Nuno Ribeiro, com estas descobertas "a data do povoamento dos Açores pode não ser a que a História refere mas outra dependente de estudos arqueológicos a estruturas e objetos existentes no arquipélago".

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